Depois de um tempo distante, resolvi voltar ao teclado e me pronunciar aqui sobre o que aconteceu comigo e minha família. Meus amigos que estão lendo este post sabem do que estou falando. Estou falando de mostrar quem você é. E digo, hoje, em alta voz: É ISSO QUE SOU! ADORADORA!
Tempos atrás contei um pouco sobre minha história. Refiro-me a vida da minha mãe, sua doença e o que isso significou para todos nós (http://luzdomundo2.blogspot.com.br/2014/05/declaracao-de-amor.html). Quando eu tinha uns 9 anos, minha mãe foi diagnosticada com câncer de mama. O médico disse que ela corria risco e que não voltaria para casa. Ela voltou. Cuidou de mim como só ela poderia cuidar. Anos depois, tivemos outra notícia de que o câncer tinha aparecido em um osso na cabeça. Minha guerreira mais uma vez lutou e venceu. Ela sabia que ainda precisava dela.
Há algum tempo minha mãe não estava se sentindo bem. Reclamava de muitas dores, foi perdendo a vontade de comer, emagreceu rapidamente, tossia muito. E cada vez que a via passando mal, eu orava a Deus desesperadamente para vê-la curada seja lá o que fosse. Contudo, parecia que não havia melhora. Não perdi a fé e continuei a clamar.
Até que chegou o dia: uma madrugada de sábado para domingo. Até hoje os gritos de socorro de meu pai e a imagem dela sem respirar na cama me assolam e me tiram o controle às vezes. Minha mãe foi levada para o hospital sem sentidos. Deus! Como orei!... Ela voltou para casa no mesmo domingo. Não sabiam o que era, mas disseram que não aconteceria de novo.
Aquela foi uma madrugada em que tive medo de pegar no sono. Queria estar alerta caso ela precisasse de mim. Mas a carne é fraca e acabei dormindo. Aconteceu novamente. Todo aquele desespero de novo. Tiveram que interná-la. Ela no hospital e eu em casa orando. Nesse momento de angústia abri a Bíblia em busca de um consolo e li a oração de Jonas no ventre do peixe. Tive esperanças.
Depois de alguns dias, tivemos a notícia daquilo que mais temíamos: o câncer havia se espalhado por todo o corpo e os médicos não tinham mais o que fazer. Agarrei-me a ela tentando não perder nenhum momento. Ainda tinha esperanças que Deus ouviria a minha oração. Não perdi a fé no Deus do Impossível. Eu queria de qualquer maneira mostrar para Deus que eu acreditava. Queria convencê-lo a me ouvir. E decidi oferecer um sacrifício.
Sempre gostei muito de ouvir músicas ditas "seculares" no estilo MPB e tal. Tinha em meu computador uma quantidade enorme de alguns álbuns desse gênero. Nunca achei (e ainda não acho) que fosse algum tipo de pecado, como dizem por aí. Mas o que me incomodava é que eu sabia que aquilo estava ocupando um lugar muito grande no meu coração. Estava se tornando um vício que não conseguia me desprender. Pois bem! Quando vi minha mãe saindo de casa para ir ao médico sendo carregada e delirando não tive outro desejo no meu coração. Excluí todas as minha músicas confiando que Deus honraria minha fé.
Contudo, temos que entender que Deus, como Pai, só atende nossos pedidos quando Ele considera ser o melhor para nós. E o melhor para ela não era o que eu estava pedindo. Minha mãe estava cansada. Ele escolheu ouvir a oração dela.
Minha mãe se foi.
Passei por um bom momento de dor, me questionando onde eu havia errado. Cheguei a pensar que Deus não me ouvia ou que se desagradou de mim em algo. Mas hoje consigo entender que não é nada disso. Simplesmente existe um tempo para todas as coisas. Não me arrependo de nada que fiz. E ainda creio no Deus do Impossível.
A saudade aperta no peito e as lágrimas não vão cessar de rolar tão cedo, mas sei que amei minha mãe intensamente e aproveitei todo o tempo com ela para obedecê-la e honrá-la. Fomos melhores amigas. E, confesso, que a maior prova de amor que poderia ter dado a ela é essa: aceitar sua partida e preferir sentir eu a saudade à vê-la com dores e sem sua brilhante lucidez.
Amo demais minha mãe para pensar em parar ou sair da presença do Deus que ela tanto me ensinou a servir. minha mãe se foi mas os ensinamentos dela ficaram. Não sinto falta nenhuma das músicas. Pelo contrário, sinto-me livre! Hoje, só posso agradecer a Deus pela mãe que tive e pelo tempo que pude desfrutar da sua companhia. Sempre a amarei e em todas as minhas ações lembrarei de seus conselhos.
Deixo a todos que lerem esse post, um ensinamento: o que define quem você é não é sua mão levantada no momento de alegria, mas sim como você se porta ao ouvir um não de Deus. Eu escolhi adorar. Escolhi me refugiar no colo dele. Não porque sou perfeita. Estou longe de o ser. Mas porque Ele é! E tudo o que Ele faz é perfeito.
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